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A cada dia, acontece uma eleição dentro de cada um de nós, cuja decisão determina não quem haverá de ser prefeito, governador ou presidente, mas consiste na escolha de quem haverá de reinar sobre nossa vida como Supremo Senhor de nossa existência. Para candidatos, não há mais que duas opções: Cristo ou o Diabo. Em quem você haverá de “votar”?

Diante desta pergunta, por vezes até incompreensível, acredito que muitos, senão todos, escolherão Cristo como seu “candidato”, porém muitas são as pessoas que, iludidas com as realidades que o mundo pode oferecer, professam seu “voto” pura e simplesmente com a boca, mas, como diz Jesus no Evangelho: “Este povo somente me honra com os lábios; seu coração, porém, está longe de mim.” (Mt 15, 8). Ou seja, inúmeras vezes estamos sujeitos a esse perigo de professarmos com a boca nossa escolha por Cristo e acharmo-nos sãos da perdição eterna, considerando-nos servidores de Jesus e acolhedores de Suas palavras. Porém, você de fato aceita-O como único e soberano Senhor de sua vida e existência?

Evidentemente este movimento da alma em escolher Jesus como seu tudo, depende fortemente do auxílio da graça de Deus agindo em nossa vida, porém, precisamos também fazer aquilo que está ao nosso alcance para que, pouco a pouco, conquistemos um amor cada vez mais pujante pelo Senhor, pois como diz Santo Agostinho: “Deus, que te criou sem ti, não te pode salvar sem ti”. Ou seja, nós precisamos suplicar ao Senhor que faça crescer cada vez mais nosso amor a Ele, para que assim, este redunde em uma verdadeira e sincera aceitação de sua soberania em nossa vida. Mas, para isso é necessário nos decidirmos por Cristo e abandonarmos o homem velho e tudo aquilo que nos afasta de Sua Santa Vontade e, assim, nos revestirmos do homem novo.

Diante da Solenidade de Cristo Rei do Universo, todos somos chamados a renovarmos com sinceridade nossa escolha por Jesus como nosso único Rei e Senhor, não tomados pela mediocridade de uma vida fútil, mas repletos do mesmo ânimo de espírito que movia os santos e os mártires a se entregarem por completo ao Senhor, alguns chegando até a ofertar a própria vida como oblação ao Senhor, como São José Sanchez Del Rio, que em sua tenra idade de 14 anos, derramou seu sangue gritando: “Viva Cristo Rei!”.

Porém, o reinado de Jesus em nossa vida implica uma verdadeira rejeição aos falsos “deuses” que fazem presença em nós, tais como dinheiro, fama, poder e mesmo realidades do cotidiano como pais, filhos, cônjuge, namorado(a) e tantas outras, todas marcadas  igualmente pela mesma realidade do apego. Nosso coração se encontra fissurado em tantas mesquinharias, infantilidades e apegos, que miseravelmente e vergonhosamente, acabamos por ocupar com essas futilidades o lugar do Senhor em nosso coração, de tal forma que o tiramos de seu trono em nós e o jogamos para fora, mediante a falsa justificativa de não termos tempo suficiente para realizar o que precisamos. 

Por incrível que pareça, esta realidade não consiste em algo impossível a nós, e nos convida a fazermos este exame de consciência: “Será que não estou roubando de meu Senhor e Rei o que lhe pertence em meu coração?”. Nunca nos esqueçamos da passagem de Jesus no Evangelho de São Mateus: “Porque onde está o teu tesouro, lá também está teu coração.” e ainda “Quem ama seu pai ou sua mãe mais que a mim não é digno de mim. Quem ama seu filho mais que a mim não é digno de mim. Quem não toma a sua cruz e não me segue não é digno de mim.” (Mt 10, 37-38). Ou seja, enquanto não nos desprendermos dos inúmeros apegos que cultivamos em nosso coração, mesmo que a realidades lícitas, e não aceitarmos aquilo que o Senhor deseja, nunca experimentaremos o verdadeiro e real reinado do Senhor em nossa vida, pois como nos ensina a vida dos santos, o caminho para o Céu é marcado por renúncias às vontades e aos apegos.

Jesus é mais importante que qualquer outra coisa ou situação, portanto, ordenemos nosso interior para que o Senhor seja verdadeiramente o centro de nossa vida e assim, possamos ter de fato em nós Seu reinado de amor! Viva Cristo Rei!

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