Um único dia, dois grandes extremos: por um lado, um homem de todo se entrega aos que profundamente ama através de um ato de extrema doação, sem medir o preço que terá de pagar; por outro, um homem, levado pela ambição e deslealdade, trai e leva à morte aquele que o ama profundamente, tudo por um mísero e vil punhado de moedas. Esta é a narrativa por trás da Sexta-Feira Santa.
Diante deste contraste gritante entre o amor e a traição, a generosidade e o crime, nossa meditação deve circundar em torno de uma pergunta: Por quantas moedas traímos e matamos o Senhor?
O espanto pode ser a primeira reação de nosso interior perante esta questão, afinal, não vemos em nossas ações os terríveis crimes cometidos por Judas e por todos aqueles que fizeram parte da execução de Cristo. Mas ao procurarmos a causa pela qual Ele se entregou na Cruz, encontramos o motivo: o nosso pecado.
Por isso, sim, a nós devem ser imputados os mesmos crimes que aqueles outrora cometeram, pois a cada pecado que cometemos trocamos Cristo e todo o seu abundante e inesgotável amor por um mero prazer momentâneo.
Quantas vezes trocamos o tudo pelo nada, a vida pela morte, a alegria pela tristeza, a honra de filhos do Pai por um mísero “prato de lentilhas”. Mas apesar de tudo isso, Deus, em sua infinita e inesgotável bondade e misericórdia, nos ama com um amor incapaz de ser compreendido pelo homem: o todo-poderoso se fez pequeno como nós para morrer pelos miseráveis que somos e assim elevar-nos a plenitude de Sua Graça no Céu. Tudo isso por um único motivo: AMOR.
Portanto, se fôssemos resumir toda a Semana Santa em uma única palavra seria: AMOR. Mas não se deixe enganar por um mero sentimentalismo humano pois esse amor se manifestou plenamente na Cruz, no qual atrozmente estendido encontra-se nosso Salvador envolto na mais sanguinolenta crueldade por nossa culpa, cuja cena na Sexta-Feira Santa contemplamos.
Mas além do mais profundo sentimento de culpa, deve brotar de nossa alma uma verdadeira gratidão ao Senhor, pois enquanto padecia os mais dolorosos tormentos, ele pensava em mim, ele pensava em você. Reconheça na Cruz o seu preço, pois no madeiro encontramos nosso valor perante Deus: nós custamos um Deus morto por nosso amor.
Enquanto a todo momento calculamos meticulosamente o preço que pagaremos para servirmos ao Senhor, Cristo se entregou todo inteiro por cada um, atribuindo à sua morte o nosso valor infinito.
Que nesta Sexta-Feira Santa contemplemos profundamente o grande amor com que fomos e somos amados pelo Senhor e, encontrando na Cruz do Salvador o nosso inestimável valor, jamais deixemos de nos entregarmos de todo coração Àquele que nos convida a com ele, renovados por Sua Graça, ressuscitarmos.
