Em meio àquilo que é corriqueiro no cotidiano, acabamos por não nos darmos conta de uma realidade que transcende o material e que é substancialmente fundamental àqueles que querem chegar um dia à eternidade do Paraíso: você já adentrou no Castelo?
Caso nunca tenha ouvido sobre tal, certamente surgiram em seu interior questionamentos a respeito do que consiste este Castelo, porém este não se refere a uma construção grandiosa, ou a um curioso e intrigante labirinto capaz de nos levar ao Céu e muito menos consiste em um grupo carismático, ou uma ONG celestial.
Primeiramente, este não diz respeito a algo material, mas sim ao Castelo Interior de nossa alma, o qual, resumidamente, simboliza qual o grau de nosso amor para com Cristo. Embora pareça um pouco abstrato, encontra seu sentido quando entendemos os pressupostos para se entrar no Castelo e para se avançar em suas moradas.
Tomemos como exemplo um ateu que vendo na Santa Doutrina Católica a verdade que sua alma sempre buscou, abandona suas descrenças e aceita tudo aquilo que ensina a Igreja. Procura o Sacramento da Confissão – a fim de purificar sua alma de todos os pecados e iniquidades que a mancharam -, recebe os sacramentos da Iniciação Cristã (Batismo, Primeira Eucaristia e a Crisma) e, se necessário for, o Sacramento do Matrimônio; este é o processo amplamente conhecido como “conversão”.
Porém, por incrível que pareça, somente este movimento não basta; É necessário um passo a mais para tornar-se participante do grupo dos que labutam para chegar ao Céu: fazer o verdadeiro propósito de deixar para sempre os pecados mortais e lutar para jamais cometê-los. A partir deste momento, em que a pessoa, através do Sacramento da Confissão, livrou-se dos pecados mortais, um propósito de jamais tornar a cometê-los torna-se imprescindível. Então, com a alma purificada, a pessoa entra no Castelo.
Desta forma, a pessoa já poderá se salvar, porém somente entrar no Castelo não deve ser o objetivo de todo católico.
Imagine-se nas seguintes circunstâncias: você foi solenemente convidado pelo rei mais poderoso do Universo para cear com ele em um banquete extraordinariamente especial, cujo esplendor e sabor nenhum mortal jamais experimentou. Porém, ao invés de, acompanhado pelos serviçais do rei e de alguns petiscos, seguir por entre os inúmeros portais internos do castelo em direção à mesa das incalculáveis iguarias que o aguardam, você adentra os portões do castelo e diz estar plenamente satisfeito com a simples entrada.
O rei, porém, o está aguardando para o precioso manjar e espera vê-lo junto dele. Mas você, miseravelmente, se contenta em comer os petiscos e da entrada do palácio olhar o rei que se apresenta na janela do Salão Real.
Não se iluda, a mesa não será trazida até você! E o tempo é limitado, pois a partir do momento que o rei perceber seu não comparecimento à mesa do Palácio, graças ao seu comodismo e estagnação em preferir a entrada do Castelo à mesa do banquete, a porta lhe será fechada e a você será reservada a purificação daqueles que não quiseram unir-se ao rei no tempo oportuno, o qual com amor os esperava.
Porquanto, em meio a tantos caminhos que se nos apresentam, enveredemos nossos passos rumo ao Bem que verdadeiramente importa e assim gozaremos da alegria que nossa alma sempre almejou: a alegria eterna do Paraíso. Para isso, esforcemo-nos por rejeitar toda e qualquer ambiguidade em nossa vida espiritual e batalhemos por avançar por entre as moradas do Castelo, a fim de que não nos contentemos somente com sua entrada, mas nos empenhemos por chegar o mais perto possível do Sumo e Supremo Rei que nos aguarda.
Uma maneira concreta de manifestarmos nosso amor pelo Senhor consiste na abdicação do tempo para estar em Sua presença, em oração. Constitui-se prática mui salutar àqueles que, em detrimento de alguns empreendimentos de seu cotidiano, reservam-se em oração de intimidade com Deus, dado que é próprio daquele que ama almejar estar perto do amado. Esta é fundamental, principalmente àqueles que ainda possuem um coração com um amor imperfeito, para que através deste meio alcancem um amor semelhante ao de Cristo.
Vivenciamos o Tempo Quaresmal, tempo este propício a nos determos e dedicarmos assiduamente e mais profundamente a aumentarmos nosso amor pelo Senhor. Portanto, não desperdicemos este tempo favorável que nos é dado, mas pelo contrário, esforcemo-nos a cada dia por nos prepararmos bem para celebrarmos a Semana Santa e a Páscoa, para que chegado o dia de cantarmos o Aleluia Triunfal da Ressurreição de Cristo, possamos proclamar a vitória do Senhor também em nossos corações, de modo que possa ressurgir verdadeiramente em nossa alma e fazer-nos participantes da Pátria Celestial do Céu!
