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Todo início de ano é para nós um verdadeiro e vívido convite a celebrarmos calorosamente e agradecermos profundamente a Deus pelas realizações e conquistas do ano que transcorreu, mas mais do que uma mera retrospectiva do que passou, deve suscitar em nós um desejo por fazer do ano que se inicia o melhor ano de nossa vida, procurando vivê-lo da melhor forma que nos convém e que se encontra ao nosso alcance. Para isso, porém, não basta somente a elaboração de bons e santos propósitos que se hão de cumprir no decorrer de todo o ano, mas firmar um verdadeiro compromisso de fazer destas metas o objetivo primordial e essencial de nosso cotidiano. Caso contrário, toda esta empolgação derivada do começo de ano se esvairá completa e rapidamente e desta não resultará em fruto algum, gerando somente propósitos frustrados e nada mais que decepção.

Além desta determinação no bom cumprimento das metas estabelecidas para o novo ano que se inicia, escolher bem os propósitos que nos dispomos a executar consiste em uma decisão essencial e crucial. Enquanto verdadeiros católicos, nossas metas não devem se resumir somente e simplesmente ao âmbito material, mas devem transcender às realidades mais elevadas, relacionadas principalmente ao nosso crescimento espiritual, pois senão, labutaremos o ano inteiro por nada mais que futilidades e mediocridades, não tirando proveito algum que reverbere profundamente em nosso verdadeiro amor a Deus. Podemos sim almejar às realidades materiais lícitas que nossas vontades nos incitam, porém nossos objetivos não devem somente resumir-se a elas, mas utilizá-las de tal forma que sirvam, direta ou indiretamente, como um caminho para aquisição de bens superiores- os bens espirituais.

A fim de auxiliar na elaboração de acertados propósitos, somos chamados a realizar em nossa vida uma auto-análise, através da qual traçamos um amplo panorama de nossa vida espiritual, de modo a procurar identificar àquilo que chamamos defeitos dominantes. Estes, diferentemente dos defeitos a que todos nós, como pessoas humanas, estamos sujeitos, são caracterizados por serem inclinações ao mal próprias de cada pessoa, as quais por constituírem-se como fortes tendências próprias a cada ser humano, resultam em ferrenhas batalhas para combatê-los e extirpá-los de nossa vida. Por exemplo: uma pessoa que sente-se dominada pela preguiça de rezar deve comprometer-se a procurar rezar com maior frequência, no intuito de vencer a este vício que está acometida. Da mesma forma devemos fazer conosco, procurando analisar nossas ações e perceber aquilo a que mais nos inclinamos para lutarmos através de bons e santos propósitos durante todo o ano.

Porém, firmados somente em nossas forças de nada somos capazes. Por isso, mais do que nos comprometermos, devemos suplicar ardente e incessantemente que Deus venha em auxílio de nossa fraqueza, para que fortalecidos por Sua Santa Graça, possamos desfrutar bem deste novo ano que desponta e dele nos sirvamos para nossa maior santificação e crescimento no amor a Cristo. Enquanto sabemo-nos incapazes do bem, o Senhor se rebaixa a nossa miséria, e com a Graça e a Força que lhe são próprios, nos faz verdadeiramente triunfar perante o mal e a dificuldade, fazendo-nos viver com perfeição este e os demais anos de nossa existência, basta que reconheça-mo-nos necessitados Dele.

Ainda em nosso favor, a cada início de ano invocamos solenemente a Virgem Maria pelo título de Santa Mãe de Deus e voltamo-nos àquela que gerou em Seu precioso ventre imaculado, Deus que assumiu nossa pobre humanidade para nos Salvar da morte do pecado; Ela que foi o primeiro sacrário da terra e que carregou o princípio e o fim de toda criação em seu seio virginal. Portanto confiemo-nos a tão terníssima e amabilíssima Mãe, a fim de que, sustentados pelo Seu incalculável amor maternal, possamos viver com profundidade, perfeição e santidade este novo ano que se inicia!

Sancta Maria, Mater Dei, ora pro nobis!

Este post tem 2 comentários

  1. Franciele

    Mateus, Salve Maria!
    Muito pertinente suas colocações a respeito dessa “tradicao” de planejamento do ano que se inicia. Quantas agendas são feitas com espaço para organizar a vida espiritual? Há tantas preocupações com o recurso financeiro, viagens, conquistas materiais e afins que não sobra uma folha sequer para aquilo que mais necessita de reflexão em nossa vida.
    Deus abençoe e obrigada pela partilha!

    1. Mateus

      Fran, Salve Maria!
      Muito obrigado pelas palavras!
      Realmente, muitas vezes acabamos por deixar de lado o essencial em troca de realidades meramente transitórias…
      Que neste ano que se inicia, possamos crescer cada vez mais em nosso amor por Cristo!
      Amém! Deus abençoe também!

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