Afinal, qual deve ser o nosso comportamento diante da oração e das demoras de Deus?
Diante desta pergunta, decidi tratar sobre este assunto um tanto desconhecido, mas muito presente na vida de inúmeros católicos e que faz toda a diferença em nossa vida espiritual, que é o nosso comportamento diante da oração e das demoras de Deus. Mas para isso, gostaria de me utilizar de duas comparações que ajudarão na compreensão de tão importante assunto.
Primeiramente, nos voltemos para uma criança insistente. Ela, quando deseja receber algo de seus pais, pede a eles inúmeras vezes a mesma coisa, e se não a recebe, continua a pedir, sem se desfalecer, mas com muito empenho, de modo que a todo tempo pede a mesma coisa.
Agora nos voltemos para uma criança mimada. Ela, quando quer algo, também pede inúmeras vezes aquilo para os pais, mas quando não o recebe, se irrita com os pais, vira a eles suas costas, faz birra e sai de perto deles.
Nestas duas comparações há uma grande diferença entre os dois comportamentos, ou seja, no primeiro vimos uma criança que não se deixa abalar por não ter recebido o que queria e no segundo uma criança que, pelo contrário, se abala e se revolta contra os pais. Assim também ocorre conosco em nossa vida de oração: muitas vezes pedimos algo a Nosso Senhor, e mesmo não recebendo continuamos a pedir. Mas existem vezes que pedimos algo, não recebemos, e então nos revoltamos contra Deus dizendo frases semelhantes a essa: “Deus se esqueceu de mim e nem se importa mais comigo…”.
Pensamento irracional o destas pessoas. Só o fato de estar viva para dizer tal frase é prova de que Deus se importa com ela, e mais, tal pessoa não reconhece o tamanho amor de Deus por cada um de nós a tal ponto de nos enviar seu filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, para que morrendo nos salvasse da morte do pecado, e que se fosse necessário que Ele morresse por uma única pessoa para que esta se salvasse, Ele assim o faria. Existem pessoas que não recebendo a graça de que necessitam, se revoltam contra Deus e se deixam levar pelas falsas ilusões do mundo, O abandonando.
Nosso Senhor disse: “Em verdade vos digo, que, se pedirdes a meu Pai alguma coisa em meu nome, ele vo-la dará” (Jo 16, 23), mas São Basílio vai advertir-nos: “Às vezes pedes e não obténs, porque rezaste mal, com infidelidade ou tibieza; ou pediste coisas inconvenientes, ou desististes”. Muitas vezes o que pedimos não é importante para a nossa Salvação, mas também muitas vezes rezamos com mediocridade e sem perseverança, desistindo facilmente. Existem pessoas que ao rezarem, como que batem no balcão de Deus exigindo graças, não se colocando no seu lugar de criatura que humildemente suplica ao seu criador que lhe conceda aquilo que Ele acha conveniente a elas conceder.
São Tomás de Aquino, um grande doutor da Igreja, nos deixou 4 princípios para que nossa oração obtenha efeito: que o homem peça para si mesmo as coisas necessárias para a salvação com devoção e perseverança. A respeito da perseverança na oração, São Nilo diz que Deus não deseja conceder Suas graças senão a quem lhe pede com perseverança.
Diante das demoras de Deus em nos conceder as graças de que necessitamos, devemos sempre buscar nos conformarmos a Santíssima Vontade de Deus, nos lembrando sempre que Deus como pai amoroso, deseja sempre o melhor para cada um de nós, Ele deseja salvar a todos nós, mas às vezes os caminhos que Ele escolhe para nos salvarmos não nos são os mais agradáveis, e por isso a necessidade de nos fazermos “barro nas mãos do oleiro” buscando fazer sempre e em tudo a Santíssima Vontade de Deus. Um santo trapista chamado São Rafael Arnáiz Barón vai dizer: “Quem seria louco de querer o que Deus não quer?”
Portanto, que nossa oração seja sempre humilde e perseverante e que nunca deixemos de pedir aquilo que é necessário para a nossa Salvação, principalmente a nossa conformação com a Santíssima Vontade de Deus, para que nos santificando, possamos chegar um dia ao Céu!
