Diante de um crescente totalitarismo que vem tomando proporções cada vez maiores no mundo e fazendo presença em inúmeras áreas da sociedade, podemos correr o grave risco de generalizar e estender esta crise hierárquica, inclusive, para os meios religiosos. Esta reação gera efeitos muito letais para uma vivência de fé profunda e verdadeira, e pode resultar em uma expressão extremamente ateísta e controversa: “Se Deus nos manda que o obedeçamos e o amemos, caso contrário, nos punirá com o fogo do Inferno, então Deus, através de um jugo opressor, é um revolucionário!”.
Perante esta incrédula afirmação, apenas duas razões fazem com que tal acusação seja completamente desconstruída e, desta forma, caia totalmente por terra.
Primeiramente, Deus não nos obriga a absolutamente nada. Qualquer pessoa, com mínimo conhecimento religioso sabe que Deus, em sua infinita bondade, criou o ser humano dotado de uma característica especial chamada de “livre-arbítrio”. Através desta, o ser humano tem total escolha sobre suas atitudes e, desta forma, está capacitado para realizar em sua vida tudo aquilo que lhe aprouver. Acontece porém, que tudo podemos, mas nem tudo nos convém, como nos diz São Paulo em sua primeira carta aos Coríntios, ou seja, toda ação tem suas consequências, sejam elas boas ou ruins.
Por exemplo: você trabalha para uma empresa e precisa comparecer no escritório às 8h da manhã. Caso um dia você acorde muito cansado, independente do seu cansaço o seu compromisso continua invariavelmente. Desta forma, se você decidir que não irá ao escritório e simplesmente ignorar sua obrigação, você naquele momento terá seu sono de volta, mas não cogite ir à empresa no dia seguinte e a encontrar de portas abertas para você. Desta mesma forma, Deus não nos manda que o obedeçamos e o amemos, mas pelo contrário, Ele, em seu incomensurável amor, nos sugere suavemente que o realizemos, porém, se você quiser “dormir demais” e desta forma simplesmente ignorar Suas palavras, as consequências de sua ação não serão nesta vida, mas irão reverberar na vida eterna.
Portanto, não se trata de uma exigência imposta pelo temor de um castigo, mas trata-se de amor. Deus nos ama tanto que nos impele a seguirmos sempre pelo melhor caminho, como um pai bondoso que procura dar ao seu filho o melhor, como Jesus vai nos dizer: “Quem dentre vós dará uma pedra a seu filho, se este lhe pedir pão? E, se lhe pedir um peixe, lhe dará uma serpente? Se vós, pois, que sois maus, sabeis dar boas coisas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai celeste dará boas coisas aos que lhe pedirem.” (Mt 7, 9-11). Deus deseja ardentemente que estejamos com Ele um dia no Céu, onde não haverá nem choro nem tristeza, mas somente alegria eterna da visão beatífica de Deus e para tal, procura nos guiar sempre pela via mais segura nesta jornada da vida.
Há um Céu nos esperando, porém depende de nós percorrermos este caminho firmados em Cristo para conquistá-lo, pois o Céu é dos violentos. Por isso, se a jornada se apresenta dura e difícil, tenha em mente o que o Senhor nos tem reservado desde todo o sempre! Nunca se deixe vencer pelo desânimo! Nas horas de penúria e tribulação, lembre-se das palavras de Nosso Senhor: “Coragem! Eu venci o mundo!”. (Mt 11, 33)
Somente através deste caminho seguro, ou seja, aceitando com suavidade e amor as palavras de Deus e as exigências de nossa Santa Fé Católica, é que conseguiremos chegar um dia à Pátria Celeste, ao Céu!
