Existe uma espécie de vida neste mundo, a criatura mais importante do Universo, que padece atualmente de uma crise gravíssima. Porém, esta não diz respeito a uma simples questão extincional, mas trata-se de uma crise onde se desconhece sua própria importância diante de tudo o mais criado, de modo a até compactuar, ou mesmo ignorar, ameaças proferidas contra a vida dos que compõem sua espécie: esta, por incrível que pareça, é a pessoa humana. Ela, que se esqueceu de sua grandeza em meio a tudo o que foi criado e que vem perdendo avassaladora e progressivamente sua dignidade única entre todas as criaturas, sob o pretexto de que não passa de um vil animal.
Diante de um mundo completamente controverso, que procura a todo custo desmoralizar crimes e exaltar pecados, o ser humano vem perdendo constantemente o censo de sua importância e superioridade diante de todo o mundo material, de modo que se esqueceu de quem é e para qual finalidade foi criado, despencando ladeira abaixo em uma amedrontadora crise existencial, fruto de uma amnésia imposta, pela qual sua dignidade única foi ceifada totalmente da concepção atual de Pessoa Humana. Se não fosse o bastante, elevam criaturas naturalmente inferiores a uma grandeza que sobressai a do homem, suscitando inúmeras pessoas comprometidas pela “nobre” causa de sua preservação e do habitat em que vive, enquanto paralelamente são friamente assassinadas incontáveis crianças no ventre de suas mães, sob o pretexto de que “meu corpo, minhas regras”.
Somos tão grandes e preciosos ao ponto de que na Criação do Mundo, diferentemente dos animais, aos quais Deus criou com as palavras “faça-se”, a nós Ele fez à Sua Imagem e Semelhança na união da Santíssima Trindade, como pode ser constatado no livro do Gênesis: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança.” (Gn 1, 26) E ainda, dotou-nos de uma alma eterna, fazendo-nos participantes de Sua própria natureza Divina. Mesmo diante do pecado de nossos primeiros pais, o próprio Deus e criador de todas as coisas se fez carne para salvar-nos da morte e eterna perdição do Inferno. Se não percebemos nossa grande importância aos olhos do Todo Poderoso é porque estamos cegos e não queremos ver. Toda a alma humana é igualmente importante, seja ela em seus primeiros momentos de vida, seja nos últimos momentos, cada pessoa é constituída de uma dignidade única que a faz a criatura mais sublime dentre todas as demais.
Celebrar o tempo litúrgico do Advento é celebrar nossa grandeza perante todas as criaturas, mas também nosso nada perante Aquele que é nosso Tudo. Embora haja essa discrepância incalculável entre criatura e criador, Deus nos olha com profundo e incomensurável amor e graças a essa predileção que temos diante Dele, fomos salvos e libertos por Nosso Senhor Jesus Cristo. Sua vinda a este mundo é para nós muito mais que um simples nascimento, é um sinal evidentíssimo do grande amor com que fomos e somos amados, e uma mostra do quanto devemos amar àquele a quem devemos nossa existência.
Perante este mundo enlouquecido e completamente oposto ao que diz respeito à moral Católica e aos ensinamentos da Santa Igreja, nada mais nos resta senão rezarmos, implorando por uma transformação da face da terra, rogando pelo Triunfo do Imaculado Coração de Maria. Porém, enquanto tardar este sublime acontecimento, revistamo-nos da armadura de Deus e batalhemos sem cessar pelos valores que compõem nossa Fé. Não se deixe abater pelo antagonismo do mundo, mas, faça jus a sua Santa Fé Católica, a exemplo dos mártires, que mesmo diante da morte, não se dobraram às ordens vãs de servidores do Diabo, mas fizeram-se firmes em Cristo, recebendo do Senhor a coroa da glória!
